quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Gêneros Textuais e Tipologia textual: alguns conceitos


         

             Sobre os gêneros textuais, Marcuschi (2005) esclarece que os eles são compreendidos como práticas sócio-históricas e discursivas, apresentando um poder preditivo e interpretativo das ações humanas. Os gêneros textuais são usados para textos materializados, concretos característicos do nosso dia-a-dia, apresentando elementos sócio-comunicativos definidos pelos conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição. São exemplos: telefonema, sermão, cartas, romance, novelas, contos, anúncios publicitários, charges, etc..
            Os gêneros surgiram no último século, a exemplo do e-mail e mensagens eletrônicas, criaram formas comunicativas próprias, caracterizadas por situações híbridas que diferenciam as relações entre oralidade e escrita, criando integração entre os vários tipos de semioses, como signos verbais, sons, imagens, etc.
            Já, quanto aos tipos textuais, Marcuschi (2005) afirma que eles são usados para designar uma espécie definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais e relações lógicas), abrangendo as seguintes categorias: narração, argumentação, exposição, descrição e injunção.
            Marcuschi (2005) também afirma que tanto os gêneros textuais quanto os tipos de texto surgem das necessidades sócio-culturais e das inovações tecnológicas, dessa forma, apresentando-se dinâmicos e maleáveis tanto na escrita como na oralidade. Um dos exemplos que originam gêneros textuais são as tecnologias e seus usos como no rádio, jornal, televisão, etc. O que origina também editoriais, artigos de fundo, notícias e telefonemas, caracterizando o fenômeno denominado transmutação de gêneros, com a assimilação de um gênero pelo outro, como citado Bakhtin (1997 apud Marcuschi, 2005).
            De uma forma simplificada, pode-se afirmar que os gêneros textuais se referem a uma estrutura textual concreta, já a tipologia refere-se às designações teóricas. A partir do quadro de Marcuschi (2005), podemmos estabelecer as principais diferenças entre tipologia textual e gênero textual:
Tipos Textuais
Gêneros Textuais
1.      Constructos teóricos definidos por propriedades lingüísticas intrínsecas;

2.      Constituem sequências lingüísticas ou seqüências de enunciados no interior dos gêneros e não são textos empíricos.

3.      Sua nomeação abrange um conjunto limitado de categorias teóricas determinadas por aspectos lexicais, sintáticos, telações lógicas, tempo verbal;

4.      Designações teóricas dos tipos: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição.
1.      Realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sócio-comunicativas;

2.      Constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas;

3.      Sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função;

4.      Exemplos de gêneros: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo virtual, aulas virtuais etc.

Sobre a tipologia textual, Bonini (1995, p. 208), partindo de alguns conceitos de Jean – Michel Adam (1992) esclarece que:
                                                Em termos gerais, Adam aproxima os quadros teóricos da lingüística textual e da análise do discurso francesa, apontando o texto como um objeto circundado e determinado pelo discurso. Partindo da enunciação ou das práticas discursivas (onde localiza o gênero, o discurso e o interdiscurso), ele delimita o campo da linguística textual como o responsável pelo estudo do modo como os mecanismos de textualização se constituem e se caracterizam.


Seguindo esses conceitos, Bonini comenta, ainda, que os tipos de textos são alguns desses mecanismos. A tipologia textual “[...] (É) vista como um conjunto de preposições psicológicas que se estabilizaram como recurso composicional de vários gêneros” (BONINI, 2005, p. 208).
            Bakhtin (1953) propõe duas categorias para os gêneros: os gêneros primários (tipos simples, como a carta) e os gêneros secundários (tipo complexo, como o romance, o teatro). Adam (1992) parte desse conceito de Bakhtin para afirmar que os tipos de textos são os gêneros primários, ou seja, os responsáveis pela estruturação dos gêneros secundários. Os tipos narração, descrição, argumentação, explicação e o diálogo, são entendidos como pontos centrais, os núcleos da categorização dos textos e, a partir disso, como os principais componentes dos textos (BONINI, 2005, p.210).
            Para identificarmos o tipo narrativo de texto, Bonini (2005, p. 219) dá-nos alguns conceitos de Adam (1992) sobre o assunto. A narrativa consiste em uma sucessão de eventos, ou seja, um fato está sempre em consequência de outro, sendo a delimitação do tempo entre esses eventos o elemento principal. A ação narrativa necessita de uma unidade temática; a estrutura básica da narrativa deve ter um inicio, meio e fim. Essa organização de escrita pode ser alterada pelo autor quando ele traz um conjunto de causas, a qual incere nesse conjunto a intriga, que pode fazer a história iniciar por seu fim (in midia res). E por último, a moral que a narrativa traz para encerrar as reflexões de que se conta a história.
            Sobre o tipo narrativo, Garcia (1986, p. 360) ajunta que é o tipo de texto a qual o autor pode reconstituir momentos para outras pessoas. A narrativa é o suporte para manter a curiosidade do leitor prendendo-lhe a atenção na expectativa de episódios futuros.
            Sobre o tipo argumentativo de texto, Bonini (1995) discorre sobre o tema como um elemento direcionado para convencer o outro, a construção de um falante que visa modificar a visão de uma outra pessoa, sobre um objeto, uma situação, entre outros.
            O ato argumentativo, conforme Garcia (1986) é construído com base na formação de opiniões, para convencer o leitor de que estamos com a posse da verdade (p. 233). A legítima argumentação não se confunde com o boca a boca, ela deve ser construtiva, cooperativa e socialmente útil (PENTEADO, apud GARCIA, 1986, p. 233).
            A tipologia descritiva consiste na apresentação e na determinação de um rótulo e de um conjunto de propriedades ligadas a ele (BONINI, 2005, p. 222). Adam aponta três partes para esse tipo de texto: - uma ancoragem, a qual se tem um tema; - uma dissertação de propriedades que se constituem em aspectualização (caracteriza os aspectos físicos) e o estabelecimento de relação (que usa características de uma parte já relatada para compor outra parte do texto), e uma reformulação, para se ter uma nova visualização do tema (ADAM, 1995, apud BONINI, 2005, p. 222).
            Dificilmente a descrição será predominante no texto, ou seja, o único componente do texto. Sua ocorrência mais característica é com a narrativa, na introdução de espaços e personagens (BONINI, 2005, p. 222).
            O quarto tipo de texto exposto aqui é o explicativo, que tem como característica prover uma resposta para um questionamento. Seu propósito é construir um desenho claro de uma idéia. A explicativa se diferencia da argumentativa porque não visa modificar uma visão de mundo, uma crença, mas transformar um estado de conhecimento, uma convicção (ADAM, 1992, apud BONINI, 2005, p. 224).
            Por último, Bonini (1995, p.224) nos traz o tipo dialogal de texto, a qual Adam (1992) afirma que esse tipo seja o componente principal dos gêneros textuais das comunicações humanas. Uma de suas características fundamentais que se diferencia dos demais tipos vistos até aqui, é o fato de necessariamente, ser formado por mais de um locutor, concretizando um diálogo.
            Garcia (1986, p. 366) ainda conceitua um tipo textual chamado dissertativo. Esse é um tipo de texto que pode ser escrito com os conhecimentos já de posse do escritor. O objetivo deste na construção de uma dissertação é apresentar informações sobre um determinado tema, é a explanação, a exposição, a explicação e a interpretação de idéias que provém de um conhecimento já adquirido, ou seja, é possível expressar o que se sabe ou acredita saber sobre um assunto.
            Para Garcia (1986, p. 353) as bases fundamentais para o planejamento e para a elaboração de qualquer tipo de texto se originam das noções de análise, síntese, classificação e criação de idéias.


Referências:
ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 11ed. São Paulo: Ática, 2000.
CEREJA, Roberto William; MAGALÃES, Theresa Cochar. Texto e interação. Rio de Janeiro: Atual, 2000.
DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Raquel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (org.). Gêneros textuais e ensino.Rio de Janeiro: Lucena, 2005.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto – leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006.
GARCIA, Othom M. Comunicação em prosa moderna: aprender a escrever, aprendendo a pensar. Rio de Janeiro: Ed. da Fundação Getúlio Vargas, 1986.
MEURER, J.L; BONINI, Adair; MOTTA-ROTH, Déssirée. (org.). Gêneros: teorias, métodos e debates. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.


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Resumindo...
Gênero Textual aqui entendido como constantes inscritas em textos que representam uma comunicação. A cada gênero usamos uma linguagem determinada que melhor  represente o gênero e nossas intenções na comunicação. Gênero, em outras palavras, é um evento recorrente de comunicação em que uma determinada atividade humana é mediada pela linguagem. Ex.: Um e-mail que mandamos para um amigo é um gênero textual em que nos expressaremos com uma determinada linguagem, mais informal e íntima, e onde representaremos nossa relação com o receptor do e-mail. Diferente será a linguagem que usaremos e o que representaremos em palavras se escrevermos um trabalho escolar. Cada um desses textos será um gênero específico.
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